Biografia Sertaneja de
Rudolf Steiner
Edições Micael
2010
Paulo do Eirado
Dias Filho
e Maria Aparecida do Nascimento Dias
|
Nasci no
meu sertão,
por isso sou
brasileiro,
igual a
muitos milhões,
quase todos
sem dinheiro,
sei que um
dia chego lá
nem só, nem
derradeiro.
Não querer
ser o primeiro,
pode parecer
estranho,
mas dessa
vida aprendi
não pensar só
no meu ganho,
capixaba ou
gaúcho,
formamos um só
rebanho.
E peço que me
permita
fazer minha
apresentação.
Simbolino Silva
Leão,
o popular
Simbolão.
Em cima da
minha graça
foi feita
aglutinação.
Tenho vinte e
poucos anos
três setênios,
calculô?
dezoito manos
em casa
mais onze que
se adoto,
ainda tem
noras e sogras,
e seis primos
do vovô.
Como a casa é
pequenina,
logo parece
estar cheia
vivemos em
harmonia,
onde ninguém
se aperreia,
na fachada
azul e verde
pruns bonita,
proutros feia.
Ainda tenho pouca
idade
mas já fiz
muito biscate,
trabalhei
como vaqueiro,
já plantei
jiló, tomate,
pro mode ter
na moral
o mais
elevado quilate.
Hoje escrevo
como posso,
rimando verso
com fato.
Dizendo do
que aprendi,
rimando no
anonimato.
Fazendo livro
e cordel
rimando o
auto-retrato.
Dirijo carro-de-som,
sou feirante
e camelô,
só não tive mesmo
escola
pra me formar
em dotô,
mas tenho o
dom de versar
umas
sextilhas pro sinhô.
Nascer aqui
me ajudou
a ter um
grande legado,
ganhando a
vida no verso
eu vivo bem,
obrigado.
Só sinto pelo
vizinho,
nem poeta,
nem letrado.
Do que gosto?
digo agora
e nem paro
pra pensar,
farinha, reza
e morena,
milho, forró,
namorar,
preferência?
Te suplico,
não me peça
pra ordenar.
Nas andanças
do caminho,
com um velho
deparei,
frente a
tanta sapiência
de pronto me
ajoelhei,
me
disse: - Serás o ouvinte,
vou
falar tudo que sei!
O velhinho se
assentou
na sombra dum
umbuzeiro,
setenta e
sete setênios
que vivia sem
dinheiro,
mas sempre sobrevivia
nordestino
verdadeiro.
Desde a múmia
de Xingó
remota
civilização,
o Egito? nem
existia
São Francisco?
plantação,
e por isso ao
“Velho Chico”
temos tal
veneração.
Caminhou com
Padre Cícero,
Lampião e
Conselheiro,
viu a chegada
do gado,
da cana com o
usineiro,
o êxodo para
São Paulo,
a morte do
caatingueiro.
Uma memória
tão viva
para tudo
testemunhar,
até o
Capiberibe e
Beberibe o
mar formar
e semanas no
Funrural,
pra tentar se
aposentar.
Também se
lembra com lágrimas,
primeiro
navio negreiro,
a fuga do
índio pro mato,
a invasão do
estrangeiro,
por riba, vem
exclusão,
essa do sul
brasileiro.
Serenando a
voz pediu,
para ouvi-lo
atentamente,
bela história
vai contar,
coloquei-me à
sua frente,
ligado, feito
uma lâmpada,
pra sabe-la totalmente.
-
O que tenho para contar
causa
profunda impressão,
uma
história para todos,
mas
poucos assimilarão,
tens
que mantê-la viva.
Meu
discípulo Simbolão!
Ao
fazer um verso assim
o
nordestino sofreu,
mesmo
lendo em português
penei
com nome europeu,
fidelidade
não falta,
é
dize-tu-direi-eu.
Aqui
vou narrar um causo
dos
cabelos arrepiar,
falo
dum jovem europeu
cuja
história ao contar,
pára
toda a natureza
a
fim de melhor escutar.
Na
pequena Kraijevec (vixe!)
dona
Franziska deu à luz,
um
menino bem especial
nasceu
no mundo de Jesus,
e
pra ele se encaminhou
desvendando
a Santa Cruz.
No
ano sessenta e um
do
século dezenove,
a
Áustria com o frio tremia
num
inverno que comove,
sertanejo
só imagina
lá
neva e cá nem chove.
Naquelas
bandas distantes
de
Rudolf foi batizado,
lá
não tem Zé ou João,
mas
Rudolf é bem botado,
Steiner,
no sobrenome,
pra
ficar mais complicado.
Inda
era bem garotinho
quando
na escola ingressou,
teve
mestre bom e mau,
com
o último seu pai brigou,
levando
o filho pra casa,
letra
e número o ensinou.
Seu
pai, bom ferroviário,
outra
vez foi transferido,
indo
morar em Neudorf
que
nomezinho enxerido,
Rudolf
a escola retorna,
voltando
ao lugar querido.
A
geometria o encantou,
rara
beleza envolvia,
o
plano vira cilindro
se
num eixo rodopia,
pra
todos isso era dado,
mas,
muito mais ele via.
Ver
um plano em seu girar
é
dar nova dimensão,
na
matéria ver espírito
é
enxergar com o coração,
o
que se sente sem ver
é
mais forte que a razão.
Nem
plano, ponto ou reta,
pois
nada disto existia,
é
do nosso pensamento
juntar
coisas que se cria,
pega
o elemento e gira,
só
pra ver em que daria.
O
Rudolf não parava
vendo
mais que o real,
o
menino não temia
o
cenário espiritual,
mas
calado, desde cedo,
já
investia na moral.
Em
uns assombros de almas
o
valente se envolvia,
suas
armas de vidente:
geometria,
filosofia,
conhecer
tudo era bom,
mas
falar, com quem podia?
Como
se pode esperar,
do
céu o padre conhece,
fala
dos anjos e santos,
mas
o céu não é só prece,
seu
sistema planetário
dá
um show quando anoitece.
Então
o padre prosseguiu
mostrando
sol e planeta,
tudo
Rudolf aprendia
vendo
mais que na luneta,
há
seres que moram lá,
uns
na lua, uns no cometa.
Com
dez anos no Liceu
que
ficava em Cisleitânia.
(Belo
nome pra uma filha!)
Morava
na Transleitânia,
mas
muito pior lhe seria,
estudar
na Transilvânia.
Novo
professor chegou
chamado
Georg Kosak,
bem
ensinava a geometria,
parecia
um almanaque,
logo
vendo que o menino
já
ia partir pro ataque.
Aos
catorze chegou lendo
“Crítica
da Razão Pura”,
Kant,
o famoso autor,
obra
de envergadura,
que
esforço espetacular
de
tão pequena criatura.
Bacharel
com distinção,
e
diplomado no Liceu,
nota
mais alta, não havia
no
continente europeu,
daí
foi pra Viena estudar
a
ciência de Galileu.
Em
nova etapa estudou
muitos
outros pensadores,
Fichte,
Hegel, Schelling,
Goethe,
e grandes autores,
inspirado
já escrevia
a
partir dos seus valores.
Em
toda bússola tem
um
ponteiro e o cardeal,
para
Steiner a ciência
vai mirar o espiritual,
ou
ficará limitada
na
pobreza material.
No
meio do povo mais simples
muita
gente tem valor,
passa
bem bela mensagem
feito
Felix, o catador,
pobrezinho,
nunca estudou,
mas
de Steiner, foi professor.
Logo
a sina de Steiner,
era
a mais nobre missão,
deveria
achar o caminho,
juntar
ciência e religião,
pegar
tudo e dar um nó.
Unir
o crente e o pagão.
Na
levada dessa vida
a
obra de Goethe encontrou,
nosso
jovem, Fausto leu,
releu,
discutiu e gostou,
parte
um e parte dois
e
mais livros que estudou.
E
como em toda teoria
essa
aqui, valor não tem,
se
fica só na idéia
e
nada produz para o bem,
Steiner
virou professor
de
letra, número e além.
quatro
irmãos se lhe chegaram
para
testar sua teoria,
três
normais, um avexado,
“acabador
de pedagogia”,
logo
Steiner o ensinou
tudo
quanto lhe cabia.
O
avexado assim cresceu
vencendo
sua própria sina,
“hidrocefalia
galopante”
não
trata com aspirina,
só
muito amor e trabalho
pra
o formar em medicina.
De
tal trato é que surgiu
nova
fonte educativa,
especial
se educa com
Pedagogia
Curativa,
onde
não há exclusão
e
nem droga sedativa.
Uma
ciência que vê o mundo
em
uma direção só,
esquarteja
pra estudar,
mas
pra montar falta o nó,
reduz,
retirando a vida
e
vai pesquisar no pó.
A
biologia quer da física
fazer
o seu corrimão,
mas
se planta não é carga
nem
plano inclinado é leão,
o
orgânico é respeitado
com
Goethe e cosmovisão.
Tal
prática comprovou
ir
na direção acertada,
é
sair fora do quadrado
ter
a visão ampliada,
o
mundo vai bem além
da
ciência demonstrada.
Porém
quase todo esforço
sentiram
ter sido em vão,
venceram
os mecanicistas
com
o trator da razão.
Foi
como ver a sanfona
e
não ouvir o baião.
Me
permita, nobre rapaz
dizer
aqui nesse espaço,
queria
encontrar com Steiner
e
lhe dar um forte abraço,
esse
menino bem devia
ter
nascido em meu pedaço.
Meu
pedaço é o cantinho
do
Brasil mais ao leste,
berço
de nossa cultura,
da
caatinga, do agreste,
das
praias mornas azuis.
Conhecido
por nordeste.
Seria
um notável também,
sem
precisar de dinheiro.
Onde
o rico é coroné,
banqueiro,
ou usineiro,
o
pobre é trabalhador,
artesão,
talvez vaqueiro.
Seria
muito bem vindo
onde
um destino penoso,
de
Lampião ou Conselheiro,
faz
dum pobre, um famoso,
junto
ao Padim Padre Cíço,
que
me fazem orgulhoso.
Minha
terra é onde o sol
deixa
o chão todo rachado,
Asa
Branca vai pro céu,
caatinga
cai no machado,
se
vive sem caloria
onde
se dança o xaxado.
Mas,
voltando pras Europa,
Steiner
muda pra Weimar,
de
início muito gostou
da
obra de Goethe avançar,
porém
penou sete anos,
pisando
nesse lugar.
Fazendo
nessa passagem
coisas
de grande valia,
se
casou com a viúva Anna,
terminou
a Edição Sophia,
inda
germinou por aí,
a
querida Antroposofia.
Mostrou
logo pra dona Anna
que
era mesmo um cabra-macho,
quando
a viu muito bacana,
com
cinco filhos num cacho,
foram
feitos um pro outro,
que
nem chuva pra riacho.
Criando
a Antroposofia
deixou
de lado a vaidade,
defendeu Darwin,
Suphan,
Nietzsche,
Haeckel, de verdade,
numa
situação grandiosa
logo
vista com maldade.
“A
verdade é muito grande”
defendia
nosso amigo,
mas
cristalizada a crítica
idéias
dum mundo antigo,
injusta,
de vista curta,
não
queria dar abrigo.
Steiner,
nosso herói
botou
mesmo pra quebrar,
cem
títulos escreveu
na
passagem por Weimar,
cumpriu
toda obrigação,
sem
sequer pestanejar.
Nosso
amigo ouvia a todos,
contra
ou a favor, ouvia,
falava
dos seus assuntos,
parece
até que defendia,
mas
seguro, um papo à noite,
e
o mesmo durante o dia.
Cinco sentidos, se diz
uma dúzia ele avistou,
pensar com cinco é ciência,
com doze se aventurou,
pensar livre dos sentidos
a cognição libertou.
O
grau da liberdade
é
qualidade do pensar,
se
Zé pensa no que sente
sua
mente vai atrasar,
no
que pensou, já sentiu,
no
que sentiu, vai pensar.
Filosofia
da Liberdade
exercida
no seu querer,
vivida
por seu sentir
e
pra melhor entender,
reconhecida
no pensar.
Exercite
já pra ver.
Aos
trinta e seis, turbulência
pra
Steiner a novidade,
seus
sentidos, enevoados
já
tem nova claridade,
vivência
comum a todos
porém
nunca nessa idade.
O
que uma criança sofre
nos
dá dó, e muita pena,
com
sarampo ou catapora,
ela
agüenta e nem faz cena,
mas
se pega num adulto
vai
ser longa a quarentena.
Difícil
no homem maduro
não
ver maldade no tato,
a
fala nem sempre é clara,
crer
no paladar e olfato,
perda
na audição, visão,
limitam
o seu contato.
Aumentar
esses sentidos
o
trouxe mais para o chão,
passada
tal tempestade,
aproveitou
da aptidão,
agora
vai ser professor
de
proletário alemão.
Por
cinco anos ensinou
do
jeito que bem queria,
pelas
noites até às onze,
após
grande correria,
professor
assim gostava
e
o aluno aprendia.
Seu
ensino logo faria
a
grande transformação,
toda
escola tem que dar
pro
operário, ascensão,
e
isso de fato acontece
quando
a elite dá a mão.
Quinhentos
anos faria
Gutemberg,
o inventor
sete
mil logo chegaram,
mas
sem som, nem gerador,
os
tipógrafos assim ouviram
em
silêncio o professor.
Isso
vem pra comprovar
a
excelente oratória,
nem
foi professor ingênuo,
nem
operário foi escória,
sempre
com dignidade,
respeitando
sua história.
Na
vida aprendemos coisas
de
valiosa grafia,
eu
ia levando o leite,
Steiner
com a Teosofia.
Eu
voltando com o queijo,
Steiner
na Antroposofia.
Homens
têm faculdades
dos
mundos superiores,
nos
permite a consciência
conhecer
seus bastidores
e
é na vigília que se anda
em
busca desses valores.
Pra
alumiar vosso espírito
cresça
a fé com devoção,
alimente
bem a alma
com
credo e veneração,
e
não censure, nem julgue,
abra
bem seu coração.
Não
condene sem entender,
seu
momento vai chegar,
e
de todo preconceito
procure
se libertar,
só
conhece essa verdade,
quem
retidão comprovar.
Peço
a comparação perdoar,
pois
há do que não abro mão,
Steiner
qual sertanejo,
leva
o Cristo no coração,
mesmo
quando vai sozinho
ele
segue em procissão.
Li
A Ciência Oculta,
famosa
publicação,
toda
a história do mundo,
e
os passos da evolução,
podem
até contestar,
mas
tem muita revelação.
O
centro dessa história
tá
no mistério do Gólgota,
o
Homem e o Cristo se unem
traçando
a mesma rota,
tirando
do seu caminho
quem
torce pela derrota.
O
Sol e a Terra se uniram
sem
fazer qualquer pirueta.
Como
a luz vinha de fora,
nossa
Terra era um planeta.
Com
Cristo, virou estrela,
de
luz azul violeta.
Sobre
o mundo espiritual
Steiner
deu explicação,
todavia
de Jesus Cristo
falou
com moderação,
sabido,
bem compreendia
não
citar Seu nome em vão.
Muitos
santos eu venero,
uns
de lá, outros daqui,
Buda,
Krishnamurti,
igual
Jesus, nunca vi,
é
o centro da humanidade
com
Seo Steiner aprendi.
O
centro da cruz apoia
uma
ponta do compasso,
e
quando a outra rodopia,
girando,
fechando o laço,
a
forma final é a Terra
com
o Cristo num só abraço.
Só
se planta no sertão,
esperando
uma trovoada.
Quem
entra para Teosofia
crê
nos frutos da jornada,
mas
planta ou crença não vingam,
sem
chuva ou com enxurrada.
Então
Steiner foi expulso
de
onde muito conheceu,
afastado
da Teosofia
clamou
pelas forças do EU!
Fundando
a Antroposofia,
com
o Cristo no apogeu.
Nossa
Terra vive sempre
uma
grande discussão:
o
ocidente vai num rumo,
o
leste na contra-mão.
Se
o oriente vai num prumo,
o
oeste não vê razão.
Pois
cada qual quer do mundo
bem
tirar sua conclusão:
balança,
régua e relógio,
para
o oriente é ilusão.
Alma,
espírito e tarô,
pro
oeste é adivinhação.
Antroposofia
procura
mostrar
Deus pro ocidental,
juntar
o céu com a terra,
dar
alma ao material,
fazendo
grande sucesso
este
saber espiritual.
Os
novos tempos exigem
para
o saber a aplicação,
a
filosofia só vale
na
hora da realização,
pois
sua origem só existe
se
chegada a conclusão.
Tem
dança, Arquitetura,
Medicina,
Pedagogia,
Culinária,
muita arte,
famosa
Psicologia,
Terapia
Social, Teatro,
e
Humana Biografia.
Ta
pensando que acabou?
Biodinâmica
Agronomia,
Pedagogia
Curativa,
Farmácia
e Euritmia.
Pasta
de dente até se faz,
espremendo
a Antroposofia.
Todo
o visto resultou
dum
certo pólo alemão,
Berlim
discutia, pensava,
participava
com a razão,
Munique
sonhava na arte,
adicionando
emoção.
A
obra “Drama dos Mistérios”
de
Steiner quer estrear,
em
Munique, no ano dez,
o
primeiro a apresentar,
até
a guerra de catorze,
quinto
drama censurar.
Falece
então, Dona Anna.
Viúvo,
seu estado civil.
Eu
só sei que foi em onze.
Motivo?
O livro omitiu.
Pensei:
foi estopô-balaio,
comeu
e se banhô no rio.
E
o primeiro Goetheanum
começou
a formar raízes,
a
Suíça bem escolhida
num
canto de três países,
de
duas guerras escapou
dois
confrontos infelizes.
O
prédio foi construído
ouvindo
os sons dos canhões,
labutaram
construtores
de
dezessete nações,
sete
milhões francos suíços
lá
chegaram de doações.
De
madeira se elevava
esta
imensa construção,
a
desafiar arquiteto,
engenheiro,
mestre e peão,
mais
de mil pessoas com folga
debaixo
dum mesmo vão.
Steiner
nunca parava,
orientando
toda parte,
querendo
ver arte na obra,
também
com obra de arte,
animado
ele fazia
do
trabalho seu estandarte.
Em
madeira esculpiu
“Representante
da Humanidade”
que
mostra o homem atuando
com
sua responsabilidade,
afasta
uma mão, o delírio
e
a outra a materialidade.
A
mão esquerda para o alto,
a
Lúcifer distancia,
já
a direita para baixo,
trata
Árimã com energia,
expondo
um homem atual
que
tem Cristo como guia.
Em
catorze, Seo Steiner,
novamente
vai casar,
com
a Marie von Sivers
agora
vai desposar,
vinte
e quatro de dezembro,
Feliz
Natal no altar.
Mas
a guerra prosseguia
dificultando
as viagens,
Steiner
vendo as nações
sem
verniz, sem camuflagens,
“missão
das almas dos povos”
revelada
nas imagens.
Quem
fala sempre a verdade
acaba
incompreendido,
Steiner até acusado
da
Alemanha ter perdido,
e
da França que venceu
também
foi repreendido.
Quando
o confronto acabou
Steiner
cria o manifesto,
pedindo
auto-reflexão
pra
não repetir o gesto,
e
muita gente assinou
o
pedido tão honesto.
Desse
movimento nasceu
a
Trimembração Social,
organização
proposta
na desordem mundial,
novo
ramo a se formar
na
ciência espiritual.
Na
política e justiça,
seu
pilar é igualdade.
Na
cultura e educação,
domínio
da liberdade.
Na
atividade econômica,
agir
com fraternidade.
Mas
mexer com o poder
sempre
provoca tormento.
A
trimembração falhou,
não
era chegado o momento,
muita
luta já provocou,
sem
nem testar a contento.
Em
dezenove nascia
de
vez sua pedagogia,
foi
em fábrica de cigarros
por
uma estranha ironia,
funcionava
muito bem,
e
Waldorf se chamaria.
Nessa
educação brilhante
a
criança é respeitada,
pra
crescer sadia e forte
de
maneira equilibrada,
pensar,
sentir e querer,
toda
aula é vivenciada.
Começou
com uma só,
hoje
são muitas centenas,
espalhadas
pelo mundo,
holandesas
ou chilenas,
fazendo
grande sucesso,
sejam
grandes ou pequenas.
Em
vinte que começou
a
crescer a medicina,
fazer
a cura com arte,
ver
o doente e sua sina,
não
pra só pedir exame
de
sangue, fezes ou urina.
Homem,
nessa medicina
tem
três sistemas principais,
rítmico
no meio de campo
equilibra
com os demais,
coração
e pulmões formam
os
órgãos fundamentais.
Depois
vem um aloprado
o
metabólico-motor,
processa
a vitalidade
pisando
o acelerador,
músculos,
calor e vísceras
funcionam
como um rotor.
Finalmente,
o pacato
sistema
neuro-sensorial,
fica
dentro da cabeça
e
na coluna vertebral,
quase
não vive o distinto,
é
tão frio, quanto vital.
Nem
bem raiava vinte e um,
Steiner
em uma ação,
juntou
com vários teólogos
para
uma renovação,
vendo
o homem ser pensante
tão
longe da religião.
Desde
quando Antroposofia
é
espírito e cognição,
pro
ativo participante
se
indica uma confissão,
para
enriquecer sua alma
qualquer
que seja o cristão.
Se
o novo vem pro bem
Steiner
quer renovar,
Comunidade
de Cristãos
onde
pastoras vão ao altar,
sendo
a primeira do mundo
a
tal prática adotar.
Também
tinham os pastores
dividindo
a primazia,
já
na Primeira Paróquia
que
em Dornach nasceria.
Com
cristão não-praticante
não
se faz Antroposofia.
A
nova igreja surgiu
formando
uma bela união,
ligou
a ciência com a fé
que
juntas, numa só mão,
exemplo
do mais valioso
para
qualquer religião.
Chegando
em vinte e quatro
uma
nova constatação:
o
mundo inchará de crianças
doentes
da mente ou razão,
Pedagogia
Curativa
vem
propor a solução.
O
carma é determinante
em
qualquer ser especial,
traz
enorme sofrimento,
a
família passa mal,
porém
é luz da mais pura
lá
do reino espiritual.
O
bom humor verdadeiro,
de
um terapeuta é vital,
sem
o tal peso de chumbo
da
educação tradicional,
muito
amor e compreensão
formam
o eixo fundamental.
Isso
nasceu em função
duns
dois conselhos bem dados,
de
Steiner para três jovens,
de
loucos encarregados,
e
Dra. Ita Wegman.
Trabalhos
abnegados.
Nesse
mesmo ano, Steiner
achando
que fazia pouco,
se
atirou na agronomia,
trabalhando
feito louco,
de
terra, planta e cosmo
falou
até ficar rouco.
Biologica
Dinâmica
a
agricultura chamaria,
o
movimento campestre
que
à química recusaria,
do
tamanho do universo
a
vida do solo seria.
Gostando
tanto de arte
Steiner
logo criaria
uma
que não existisse,
era
tudo o que queria,
tinha
chegado o momento
de
surgir a Euritmia.
Como
uma arte que procede
da
alma, mais pura ação,
“consciência
de espírito”
em
uma gesticulação,
como
a “linguagem visível”
do
cosmo em exibição.
Por
isso dizem ser a arte
que
o espírito faz par,
não
é mímica, nem dança,
- é com gestos, cantar! Cantar!
Disse
a Sra. Steiner
definindo
Euritmizar.
Mas
nem só com grandes feitos
que
as coisas aconteciam,
crescia
a contrariedade
daqueles
que a combatiam,
e
havia na Antroposofia
aqueles
que se envaideciam.
Alguns
países da Europa
eram
bem tumultuados,
nacionalista
Alemanha
tinha
ânimos exaltados,
também
uns confessionais
se
sentiam prejudicados.
Steiner
viajava muito
no
cenário tenebroso,
até
ameaça de morte
lá
de um grupo belicoso,
mas
nada desviou a missão
deste
mestre corajoso.
Grande
golpe foi sentido
na
noite de São Silvestre,
incêndio
no Goetheanum
é
grande a perda terrestre,
sentido,
sofreu demais
o
nosso querido mestre.
Quando
a fumaça surgiu
muitos
foram voluntários,
para
combater as chamas,
bombeiros
extraordinários,
salvaram
o que puderam,
venceram
os adversários.
- Abandonar logo o prédio!
de
Steiner partiu a voz.
A
fumaça insuportável,
foi
um inimigo atroz,
sem
esmorecer a alma
toma
uma decisão veloz.
- Amanhã, no mesmo horário
a mesma programação,
na carpintaria vizinha
temos nossa reunião.
Seguiram
as conferências
sem
qualquer interrupção.
Essa
dor foi muito grande
Steiner
tanto sentiu,
pensando
mais no assunto
foi
que uma ficha caiu,
por
fora os opositores
por
dentro também ruiu.
Nem
um ano se passou
do
fogo devastador,
Steiner
lutou, viajou,
num
gesto aglutinador,
a
Antroposofia falhava,
sem
estrutura interior.
Resolveu
fazer de novo
o
Estatuto Social,
a
nova ordem vai nascer
nesse
Congresso de Natal,
oitocentos
lá presentes
mesmo
num frio sem igual.
Steiner
bem comandou
tal
evento com mestria,
assumindo
a direção,
zelando
por garantia
de
ordem e fidelidade
da
instituição que renascia.
Antroposofia
pro mundo
tem
de ser de forma aberta,
não
pode ter vaidade,
nem
coisa de gente esperta,
guru
também não tem lá,
nem
capa, mago ou coberta.
“Escola
Superior Livre
para
a Ciência Espiritual”,
e
pro Goethenum lançaram
uma
pedra fundamental,
em
primeiro de janeiro
é
que encerraram o Natal.
Novo
ano vinte e quatro
chegava
bem renovado
Steiner,
porém no dia
sentiu-se
adoentado
era
o começo do mal
que
o teria levado.
Poucos
meses lhe restavam
devido
a débil saúde,
mas
não se deixou derrubar
mostrando
grande virtude,
centenas
de conferências
e
alocuções amiúde.
Tudo
quanto ele falou
logo
estenografado,
hoje,
todo o material
está
em livro encadernado,
como
se fosse um presente
dum
homem bem elevado.
Em
apenas nove meses,
muitos
feitos realizados,
viagens
por vários países
gerando
bons resultados,
Pedagogia
Curativa
e
Agricultura lançados.
Vinte
e oito de setembro,
Steiner
pôs-se no leito,
e
não mais se levantou,
pelo
que soube a respeito,
mesmo
nesse pobre estado
trabalhava
satisfeito.
Véspera
de vinte e nove,
dia
do Arcanjo Micael,
com
sua espada guerreira,
ao
Cristo sempre fiel,
iluminando
o enfermo
a
prosseguir seu papel.
Sua
própria biografia
publicou
semanalmente,
até
no final de março
as
enviou pontualmente,
desfazendo
acusações,
que
não estava presente.
Muita
gente se lhe chegou
para
pedir uns conselhos,
atendeu
bem, todos eles
fossem
verdes ou vermelhos,
tomou
grandes decisões
com
ajuda de aparelhos.
Ficou
deitado no estúdio
nos
seus últimos momentos,
ouvindo
serra e martelo
como
fossem instrumentos,
tocando
o novo Goetheanum,
erguendo
seus pavimentos.
Com
muita tranqüilidade
a
trinta de março, morreu,
deixando
o mundo terrestre
pra
outro conhecido seu,
a
expressão bem serena
do
seu rosto descreveu.
O
novíssimo Goetheanum
continuou
sendo erguido,
não
tinha a fala do mestre,
só
o que se tinha aprendido,
em
três anos ficou pronto
de
concreto protendido.
Hoje,
século vinte e um,
é
grande a movimentação,
tem
curso, palestra e teatro,
tem
seminário e convenção.
O
Goetheanum está vivo
para
nossa satisfação.
A
Antroposofia cresceu
mostrando
que não é papo,
redimiu-se
até a Alemanha
dos
abusos da Gestapo,
que
prendia simpatizantes
pra
humilhar e dar sopapo.
Hoje,
pelo mundo inteiro,
Steiner
deixou um legado,
farmácia,
pesquisa, clínica,
escola
e livro, um bocado.
Em
Sergipe, Propriá,
Fórum
Social realizado.
Assim
vou chegando ao fim,
nessa
missão de repassar,
tudo
quanto eu sabia,
pra
já poder descansar.
Eta
história poderosa
pro
cristão se transformar.
Pois
de tudo que contei
o
jovem tem de aprender,
para
crescer nessa vida
esforço
terás de fazer,
não
pense que sabe muito
duvide
sempre do saber.
Não
esqueça minhas palavras,
faça
delas a autoria,
nunca
serás como um outro,
fazendo
sua Antroposofia,
sempre
é feita na medida,
é
só sua, ninguém copia.
Muito
acredito em você!
Desculpe
pela demora,
sei
que muita informação
não
se aprende assim na hora,
o resto vem com a vida.
Até
breve! Vou-me embora. ”
Dizendo essas
palavras
o sábio logo
sumia,
mágica tão
bem feita
que nem
roliúde faria,
eu agora
estava sozinho,
não mais o
mesmo seria.
Tanta coisa
na cabeça
e impulso de
juventude,
era um
privilegiado
pensando ser
só virtude,
estava super
vaidoso
numa péssima
atitude.
Com o tanto
que aprendi
pensei que
tudo sabia,
no Raso da
Catarina,
o deserto da
Bahia,
fui mangá dum
sertanejo
que pensei
nada diria.
Lhe falei dum
Eu eterno,
várias vidas
do cristão,
num relance
refletiu,
respondeu com
prontidão:
-
Se a caatinga fica verde
eu
vejo a reencarnação.
Pra Sergipe
me aprumei,
fui mostrar
conhecimento,
depois de
tanto estudar
queria
reconhecimento,
pensava que
eu era um gênio
e o outro
fosse um jumento.
De fogo,
água, terra e ar
fui falar no
Carrapicho,
um menino
rebateu:
-
Junto tudo com capricho,
aí
faço com a cerâmica,
de
moringa a crucifixo.
Sai de lá de
fininho,
com raiva dos
elementos,
sigo em
frente pra mostrar,
pros outros
conhecimentos.
Quem
encontrar no caminho
falo dos
temperamentos.
Caminhei pra
Propriá
na margem do
São Francisco,
encontrei com
um criador
rezando por
um chuvisco,
perguntei: -
Como é que pode,
qualquer ano
o mesmo risco?
Ele então me
esclareceu:
-
A vida tem dessa sorte,
a
gente pisa no barro,
fica
a pegada da morte,
melancolia
do verão
muito
seco aqui no norte.
-
A cólera vem do agiota
mais
forte temperamento,
o
“sangüíneo” no brincar
nas
poças, por um momento,
a
fleuma é deveras rara
mais
ou menos 1 por cento.
Precisando ir
numa feira
fazer
negócios queria,
imagine um
grande xópingue
sem âncora e
sem franquia,
a banca é a
cara do dono,
o próprio é
quem negocia.
Pro norte me
dirigi
andando pelo
Nordeste,
por toda
Alagoas cruzei
seguindo rumo
ao agreste,
Caruaru –
Pernambuco.
A
h! Feira
grande da peste!
De doze
sentidos falei
prum
repentista ao meu lado.
-
vinte e quatro! Respondeu.
Me deixando
encabulado.
-
Não pense em jogo do bicho,
duplo-sentido
é contado.
Pois comece
por explicar
sobre o
sentido do tato:
-
Tatear é estar bulindo,
com
malícia ou não, de fato.
Aliso
com essa mão,
mas
com a outra mão lhe bato.
Me
arresponda, sem demora
sobre o
sentido da vida:
-
Queremos bem na saúde,
na
dor ou na despedida.
Ir
no sentido da morte,
é
o sentido da vida?
Agora diga que
sabe
Sentido do
movimento:
-
Parado ninguém está,
nem
num estacionamento,
quando
se dá um cochilo,
o
mundo andou no momento.
Do sentido do
equilíbrio
o que você
quer falar:
-
Quando a seca nos castiga
sete
léguas tem de andar,
uma
lata na cabeça
e
um lar para equilibrar.
Agora, dê repentista,
do olfato uma
opinada:
-
Dizer que água não cheira
a
coisa mais afirmada,
é
o cheiro que mais sinto
se
sinto cheiro de nada.
Do paladar majestoso,
nosso leitor
quer saber:
-
Tem quem passe pela vida
pensando
que é só comer,
outro
sentido é no jejum
que
faz nossa alma crescer.
Do sentido da
visão
dê uma versão
exótica:
-
Quando o chão vira brasa
debaixo
da luz pirótica,
vejo
água onde não tem,
na
dura ilusão de ótica.
Qual o sentido
do calor?
já que do sol
você falou:
-
Tem frieza e tem quentura
e
o termômetro nem marcou,
são
as do calor humano
que
dum homem emanou.
Vá dizendo
qual embate
vai criar
sobre audição:
-
O barulho vem de fora
parecendo
uma invasão,
bem
mais alta a voz de dentro,
no
silêncio da oração.
Me diga ao
pé-da-letra
mais um
sentido efetivo,
sendo tão bom
repentista
que me falta adjetivo,
só não quero
nas palavras
duplo-sentido
abusivo.
Do sentido da
palavra
como não ser
enganado?
-
“Ao pé-da-letra” me pede
pra
não ser manipulado,
mas
se letra não tem pé
você
tá prejudicado.
Já estou
ficando maluco
sem nem
pensar no pensar:
-
Pensamento o céu viaja
sem
a razão controlar,
pode
ser só um sentido,
pensar
e não concordar?
E pra findar
os sentidos
faz uma dúzia
no Eu:
-
Pois, “Amai-vos uns aos outros...”
como
Cristo prometeu,
o
egoísmo desaparece
quando
nós é maior que Eu.
Do violeiro
despedi
discreto, sem
muito aviso,
impossível
ser mais ágil
falando num
improviso,
cheguei por
cima do mundo,
saí por baixo
do piso.
Peguei no
carro-de-som
pra fazer
publicidade:
“No Ispá
Volta Redonda,
o mais novo
da cidade!
Para todos:
mocotó,
cuscuz
conforme a idade”.
Peguei no
auto-falante,
como grande
marqueteiro:
“A massagem
‘Tokio Town’,
sucesso em
Juazeiro!
Milenar casa
de gueixas
original do
estrangeiro”.
Um bom
serviço de som
deixa o
caboclo ligado,
dentaduras
num balaio,
elixir pra-mau-olhado,
elepê de forró,
um óculos,
vende tudo se
for fiado.
O meu som
continua zoando
divulgando o
lançamento:
“Barbeiro à
quilo em Penedo,
que não pesa
no orçamento!”
“Funerária Seu-Fim-Serve,
pronto auto-atendimento!”
Na Paraíba
inaugurou
churrascaria
rodízio,
parece até coisa
comum?
Essa entrega em
domicílio,
com duzentos
motobóis
rodando sem
desperdício.
Num momento
de descanso
um tangerino
encontrei,
era perto de
Piancó,
na bodega de
Marlei,
com um
esquadro na mão,
num repente o
desafiei.
Falei da
imagem de sólidos
em plena
revolução,
do cristal
que forma o prisma,
Pitágoras,
projeção.
Perguntei pra
meu ouvinte
Geometria? Sabe
ou não?
Ele então me
respondeu:
-
De escola num sei nada,
mal
soletro o be-a-bá,
meu
lápis foi uma enxada
para
mim a geometria
é
matéria desalmada:
-
“Mais um plano foi traçado
cortado
por retas churdas.
Pro
Polígono das Secas,
certa
esfera cria ajudas,
paralelas nos efeitos
do
Triângulo das Bermudas.
Basta
ter linha de crédito
e
um círculo la que mente,
feito
uma maré secante,
dinheiro
saí na tangente,
some
no raio de Brasília
nem
vem pro lado da gente.
Tem
centros alienantes,
no
setor lá da imprensa
que
dão corda pra pensar,
essa
linha é tão extensa
que
o nordeste vira um ponto,
em
face a verba tão imensa.
Olhando
por outro ângulo,
qualquer
área do sertão
com
perímetro irrigado,
tem
volume de produção,
que
nos livra do pentágono
em
branca revolução.
Numa
divisão congruente,
nós
trabalhamos à altura.
Basta
de lona e trapézio,
pois
sertanejo é figura,
rija
que nem um triângulo
na
base duma estrutura”.
Decaído pelo
sermão,
fui do Ceará
pro Piauí,
de Seridó,
Propriá,
por Canindé,
Cariri,
pra Gravatá,
Jequié.
Cansado
cheguei aqui.
-
Oh! Simbolão. Qué qui há?
Arguiu Mariá,
amorosa.
-
É qui cê tá di dá dó!
Prosseguindo
bem dengosa.
Nordestino
ama oxítonas,
imagine com
essa prosa.
No sertão
muito aprendi
andando num
outro estado,
sempre que
gozava alguém
eu que ficava
humilhado,
quanta
riqueza a cultura
dum povo
determinado.
Por um
momento pensei,
é boba a
Antroposofia,
vou discutir
com matuto
sempre acabo
numa fria,
porém logo
compreendi
a minha
própria agonia.
Não serás o
maior do mundo
pelo que pôs
na cabeça,
conte com o
coração
nessa jornada
travessa,
firme agora o
pé-no-chão
e deixe que a
alma floresça.
Então me veio
a lembrança:
o bom ancião
sabia demais,
eu que não
tinha atentado
nas suas
palavras finais,
diante da
eternidade
somos
pontinhos iguais.
Para agir
melhor no mundo
Steiner deu
seu recado:
Faça bem a sua
parte
ajudando
alguém ao lado,
pois vale em
qualquer lugar,
nem espere um
obrigado.
Comecei a ver
o próximo
com uma nova
visão,
defronte duma
injustiça
assuma uma
posição,
sendo honesto
e corajoso
sempre chega
outra mão.
É que o
problema social
do nordeste
está pior,
pela remessa
de renda
arrancada de
um menor,
com o osso
furando a pele,
o choro no
berço é maior.
Uma mãe sofre
dobrado,
mas permanece
nutriz
nem se
alimenta a coitada,
amamenta
feito atriz
tivesse só um
centavo,
faria a
família feliz.
Como cresce o
sertanejo
pela seca
castigado?
Vendo sua
criação morrer,
com o fim por
todo lado,
só lhe resta
olhar pro céu
e pedir pra
ser poupado.
Da terrível
privação
ganha uma
fibra de aço,
na palavra seu
valor,
a fé dirige
seu passo,
esperança que
alimenta.
Vida vencida
no braço.
Brasileiros bem
deviam
meu sertão
vir conhecer,
a malandragem
caía,
o caráter ia
crescer,
a coragem
aumentaria.
Que Brasil
nós íamos ter!
Que me
desculpe o leitor
o caminho que
enveredei,
aqui também
vai meu grito
que para o
nordeste dei.
Não posso
ser, se não sou,
pois a mim
mesmo adotei.
Confie no
Homem e na Cruz,
resumindo o
que falei,
parece a arte
do óbvio,
pois
Antroposofia é lei,
ciência
popular, linda
o que não
sabia que sei!