Tem! ... mas
acabou
Paulo do Eirado
A sacola de Maroca
É toda em tom
sobre tom
Nem meio quilo
nela vai
Mas combina com o
batom
Pouca feira e
muita pose
Sai na self, está
no close
Parece uma Louis
Vuitton
Com Severo é
diferente
Calado e
escabreado
Faz compra pra todo
o mês
Com carrego
enfileirado
O benquisto
cidadão
Com seu terno de
algodão
Tem bom dia de
todo lado
A feira tem dessas
coisas
Uns vendendo uns
comprando
Todo mundo se
conhece
Pois vivem
negociando
A mesma cara
batida
A mesma língua
cumprida
Que arremeda
pechinchando
Logo na primeira
hora
Descarrega a
mercedinha
Tudo vem nos
engradados
Sem nenhuma
amassadinha
Na barraca do
feirante
Ou balaio dum
ambulante
Fruta tem que ser fresquinha
Quem quiser pagar
barato
Tem que se ligar
no horário
Produto sofre no
sol
O calor é
temerário
O tempo se vai
passando
E o preço
desidratando
Liquidar é
necessário
Esta é a famosa
xepa
Que por muitos
aguardada
A feira quer para
todos
A cesta tão
esperada
Onde há
necessidade
Que se faça em
equidade
Com o alimento de
cada
Como o milagre dos
peixes
Toda semana tem
sete
Começa
segunda-feira
E o calendário
repete
É terça, é quarta,
é quinta
Sexta carrega na
tinta
Sextou! E postou
na net
Só na língua
portuguesa
Dia útil se chama
feira
De sabedoria
secular
Da segunda a
sexta-feira
quando alguém quer
trabalhar
na feira livre tem
lugar
Pra iniciar uma
carreira
Na grande banca de
João
Não falta é
variedade
Um balaio de
dentaduras
Óculos pra realidade
Grife da vidente
Josa
Que lê a mão da curiosa
Que quer saber a
verdade
A sacoleira
Valdete
Traz novidade
esgotada
Diretamente da
China
Chou da Chucha na
parada
Da inteligência
artificial
Com a pinta de
original
Em DVD pra
criançada
Vem chegando um
coroné
Querendo comprar
feijão
De Mariano já
zerado
- Não tem nem um
quilo não?
Vixe! aí o bicho
pegou
Saída: - Tem!
...mas acabou
Convencendo o
valentão
Quem viu de tudo
na vida
Experiente qual
Nicanor
Bate o olho se
arrepiando
Farejando mau
pagador
Caneta que a tinta
apaga
Conversa como quem
paga
Dum suspeito atravessador
O passo prossegue
então
Admirando a
fartura
Cada banca tem um
jeito
Do dono é
caricatura
Sortimento chama
mix
Pagamento faz no
pix
E fiado também
fatura
Mas fiado só no
cartão
Aqui tem a
maquininha
O dinheiro é
digital
Troco só pra vovozinha
Barraca boa é no
crédito
Mas também aceito
débito
Pro freguês comprar
na minha
É do giro do
transeunte
Que se gira o
capital
Bem pequeno é
verdade
Será por pessoa um
real?
Debatem os
estudiosos
Com os felinos
zelosos
Lá da Receita
Federal
Se da feira
sobrevivo
Melhor optar pelo
MEI
Previdência passo
a ter
Como está dito na
Lei
Trabalhar é meu
destino
Não quero ser
clandestino
Minha segurança
busquei
Sendo a noite uma
criança
Que dizer da
madrugada
Por certo virou um
adulto
Na feira em luta
pesada
Traz no carrinho
de mão
Carrega no
caminhão
Segue escuro na jornada
Do sol ainda nem
se sabe
Juvenal já está no
local
Empreendedor de
sonhos
Resiliente como
tal
Vive da própria
saúde
Da fé se fez
atitude
Praticando o
“velho normal”
Varejão, shopping,
ceasa
Também ameaçam a
feira
Já não bastasse a
violência
Vem chuva e destrói
a leira
Menos mal faz a
estiagem
Miséria pouca é
bobagem
Para os sem eira
nem beira
Feira livre é um
espelho
Que alma humana
revela
Tem todo tipo de
gesto
Trama assim só na
novela
Uns dignos de
confiança
Uns com dedo na
balança
A vida repete a
tela?
A feira tem o seu
lugar
Em cada dia da
semana
Algumas entre as
melhores
Pensou na Copacabana?
Saudosa Água de
Meninos
Dos recantos
nordestinos
Viva a Feira de
Santana!
Na feira chamada
Brasil
Um multimodal roteiro
Caminhões vem de
São Paulo
Vapor barato em
Careiro
Jipão toiota na
Sulanca
Petrolina de
carranca
E a Bahia com o
saveiro
Feiras de todo
tamanho
Satisfazem a
freguesia
Igual mesmo é o
feirante
Diadiando nosso dia
a dia
Com olhos sempre
brilhantes
Pelas hortas
verdejantes
E que ainda agora
colhia
A barraca mais
sortida
É que faz a moça vibrar
Fazendo maior
pedido
Que na música de
Elomar
A feira inspira o poeta
Como uma visão secreta
Que se insurge de
aguardar
Feira livre tem
repente
Cordel, triangulo
e paixão
Contador de causo
mau
E também de causo “bão”
É palco da própria
vida
Lágrima de
despedida
E pulsar de
coração
O povo segue mudando
Ao chegar novos
costumes
Nem passarinho na
gaiola
Nem veneno nos
legumes
Ninguém mais
aceita isso
Hoje é outro
compromisso
Tem defeso pros
cardumes
As feiras só serão
livres
No ambiente humanizado
Trabalho sendo
envolvente
Muito bem remunerado
Novo formato do
social
Surgirá como bem
geral
Em um dia tão
festejado
O bastidor duma
feira
É a família
agricultora
No pó da terra
interior
A mão polinizadora
Encena com a
geografia
Enreda a
psicologia
Protagonista e
autora
A cultura é importante
Traz vivência e Liberdade
Quando as leis nos
civilizam
Pra todos com Igualdade
Há quem seja mais
pra frente
Por conta d’outra
vertente
Quem produz: Fraternidade
Até parece mentira
Pois mal a feira
começou
Um freguês chega
do céu
Num ovni e me
perguntou
- Tem jenipapo marciano?
Respondo igual
Mariano
- Seo E.T. Tem!
... mas acabou